Sábado, 18 de Fevereiro de 2006

Quem tem medo do desenvolvimento sustentável?

CHOCANTE!!!!
Noticia do Público (disponível em http://ecosfera.publico.pt/destaque/ogm.asp)

07-02-2006

«Moratória proibida sobre organismos geneticamente modificados
Organização Mundial do Comércio condena UE por violação das regras do comércio


A Organização Mundial do Comércio condenou a União Europeia (UE) e outros seis Estados membros por violação das regras do comércio, na sequência da proibição de entrada de organismos geneticamente modificados sob a forma de uma moratória.

Este veredicto responde a uma queixa apresentada pelos principais produtores de geneticamente modificados - os Estados Unidos, a Argentina e o Canadá.

Num relatório com mil páginas - que ainda está a ser estudado por governos e advogados -, os juízes da Organização Mundial do Comércio (OMC) concluíram que a UE aplicou uma moratória sobre as importações de transgénicos entre Junho de 1999 e Agosto de 2003. Bruxelas alega que a moratória nunca foi declarada oficialmente.

Para além disso, seis Estados – França, Alemanha, Áustria, Itália, Luxemburgo e Grécia – violaram as regras ao aplicar as suas próprias proibições à importação de OGM.

A decisão deverá ser confirmada dentro de um mês, podendo haver recurso.»

E esta??

Temas:
publicado por 12A1 - ESTavira às 12:57

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5 comentários:
De Iris a 25 de Março de 2006 às 17:07
e esta? e esta só merecia..... eu nem digo que nao é proprio pra sitios destes :P REalmente há coisas que nao percebo nesta sociedade.... é crime e deveremos ser penalizados por nos tentarmos proteger? e além do mais.... nao tivemos alimentos trangénicos ate agosto de 2003, vamos pagar por isso mas no fim... vamos ter que os comercializar... e pior... sem ser avisados, visto que só quando contém 1% é que vem assinalado. às vezes nao percebo mesmo e ponho me a pensar a quem estaremos nós todos entregues...já nem na nossa comida podemos confiar... queremos nós filhos estéreis e sem partes do corpo? já que sao esses os efeitos dos trangénicos na nossa vida... agora só uma questão: há produtos portugueses trangénicos? porque se forem só produtos exportados poderemos optar por mudar habitos e consumir mais produtos portugueses... isso aumentaria o comercio interno e diminuiria a importação porque tornar-se-ia não rentável... ou nao? deixo a pergunta à espera de resposta. Kisses and hugs
De 12A1 - ESTavira a 28 de Março de 2006 às 10:43
Iris, o teu comentário espera respostas complexas que ao que parece tardam a chegar e provavelmente continuarão a demorar. Cá vai uma possível...

No assunto dos OGM como já provavelmente perceberam não há acordo entre a comunidade científica principalmente devido ao nº reduzido de estudos (os poucos estudos realizados são financiados pelas empresas que comercializam os OGM, o que levanta questões de isenção), a par com o tempo necessário para realizar alguns tipos de estudos (um estudo epidmiológico, por exemplo, que pretenda saber os efeitos do consumo deste alimentos no Homem, irá demorar 10 a 20 anos e mesmo assim poderá não permitir tirar conclusões definitivas).
Para já o que temos são estudos soltos e muita reflexão sobre o impacto dos OGM no ambiente, na saúde, na economia e na sociedade. Por hoje fico-me pelo impacto ambiental. Mesmo assim devemos estar conscientes que os 3 pilares do desenvolvimento sustentável estão interligados e todos podem afectar a saúde e qualidade de vida. Deixo aqui alguns pontos de reflexão…

Começando então pelo impacto sobre o ambiente a 1ª dificuldade de análise reside nas diferenças obtidas entre estudos laboratoriais e estudos em campo aberto. Se nos 1ºs alguns OGM demonstraram capacidades competitivas acima da média nos 2ºs ocorre o contrário, e vice-versa. Além disso a realização de estudos de campo não é possível de realizar sem provocar contaminações nos seres vivos não GM, o que provoca adulteração de resultados e tem impedido a estabilidade genética dos OGM. O resultado tem sido a verificação de que os OGM presentes nos campos de ensaios tornam-se consideravelmente diferentes do OGM inicial o que impede mais uma vez conclusões consistentes. Ou seja por muito que as empresas responsáveis digam o contrário a tecnologia de produção de OGM nem sequer garante que o Transgénico aprovado é o comercializado tal é a instabilidade genética dos OGM e o pouco avanço das técnicas laboratoriais.

Já no campo da reflexão poderemos divagar sobre a “evolução” de uma super planta resistente a alguns herbicidas e capaz de produzir o seu próprio insecticida – como acontece por exemplo com alguns milhos OGM. Nas plantas o cruzamento entre espécies diferentes é vulgar e nas gramíneas (como o milho e grande parte das ervas daninhas) é mesmo muito frequente. Assim se por ventura o milho OGM polinizar uma daninha poderá transforma-la numa “superdaninha” resistente a herbicidas e a pragas, por produzir o seu próprio insecticida. Causando o desastre na produção de alimentos a nível global.
Depois de termos percebido que uma das grandes causas de todos os problemas de sustentabilidade levantados pelo progresso tecno-económico (não um verdadeiro desenvolvimento) está na utilização abusiva de produtos químicos durante a produção e armazenamento de produtos alimentares, o que é que os OGM trazem de novo afinal? Em que mundo viverão as pessoas que acham que por os OGM aguentarem com mais produtos químicos irão contribuir para diminuirmos a utilização desses produtos? Não será exactamente o contrário?

Para agravar este problema, sabe-se hoje que a polinização não conhece fronteiras e por isso não será possível impedir estas polinizações cruzadas, nem estabelecendo enormes distâncias de segurança. A consequência será a perda total de variedades selvagens e tradicionais de seres vivos, e consequente perda de variabilidade genética, tão importante seguro de vida pelas capacidades de cura de doenças que poderá desvendar e pelas diferentes ‘ferramentas’ que nos oferece para fazer face à mudança. De facto, um dos pontos mais importantes é a perda de biodiversidade e de diversidade genética. Quando há poucas décadas centenas de laranjeiras do Sul de Espanha foram dizimadas em pouco tempo não pelo poder da doença que as atacava mas sim pela semelhança genética entre si, todas tinham a mesma susceptibilidade à doença, a ideia sustentabilidade da monocultura baseada em clones sofreu um sério revés e de então para cá outros casos têm vindo a demonstrar que essa filosofia do campo agrícola asséptico e sem variabilidade genética não tem futuro no desenvolvimento sustentável.
(continua)
De 12A1 - ESTavira a 28 de Março de 2006 às 10:57
Quando se defende os OGM devemos estar conscientes de que a adopção das variedades OGM implicarão a perda das variedades tradicionais e selvagens e contaminarão modos de produção sustentáveis como a produção integrada ou a agricultura biológica.

Além da polinização cruzada também a transferência horizontal de genes (transferência de genes entre espécies taxonomicamente afastadas) pode ocorrer e já foi comprovada em várias colmeias da América central instaladas em campos OGM. As bactérias intestinais das abelhas incorporaram transgenes do milho e as modificações por elas sofridas alteraram a flora intestinal das abelhas provocando a sua morte. Também no campo da divagação poderemos tentar imaginar o que sucederia no caso de algumas pragas ou doenças incorporarem algumas das propriedades prometidas para os OGM. Nascerão as “superpragas”, resistentes a produtos químicos e com capacidades competitivas destruidoras para qualquer equilíbrio.

Pensando em tudo isto o mínimo que poderíamos fazer era aplicar o principio da precaução, porque como lembrou o Professor Amílcar, «o DDT foi um erro que ainda hoje continuamos a pagar mas que tem uma diferença fundamental em relação aos OGM, não se reproduz.»

O DDT deixou de ser aplicado e os OGM será possível pará-los?

Quanto à sociedade e economia, em breve falaremos….

abraços (aqueles), hugo
De mickey a 26 de Fevereiro de 2009 às 16:35
sim.portugal já tem produtos geneticamente modificados.e na minha opinião deviamos acabar cm a produção e a importação destes.pois se continuarmos assim podemos estar a estragar a nossa vida e a dos nossos sucessores.não existindo o desenvolvimento sustentável.
De 12A1 - ESTavira a 31 de Março de 2006 às 20:30
Com tudo o que foi dito espero ter respondido a algumas das questões colocadas. De facto para já não há produtos portugueses transgénicos (embora esteja para breve a aprovação de campos considerados como de risco mínimo) e o Algarve até foi declarado zona livre de transgénicos (um aspecto apesar de tudo muito positivo) mas a 'contaminação' será muito difícil de evitar e por isso, mesmo consumindo produtos portugueses não transgénicos não será possível garantir totalmente a 'natureza' dos produtos.
Também as questões económicas são difíceis de analisar. «é crime e deveremos ser penalizados por nos tentarmos proteger?» Esta talvez seja uma das questões que alimenta mais divergências, conflitos e mesmo guerras entre povos e países. Em grande parte dos casos as ajudas da OMC (Organização Mundial de Comércio) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) aos países necessitados obrigam esses países a abrirem (diminuição ou isenção de impostos fronteiriços e outros; incentivos ao investimento estrangeiro; etc.) as suas fronteiras. É esta a base do liberalismo económico, que quase sempre coloca a liberdade de comércio acima de todas as outras liberdades e desvaloriza totalmente os bens comuns - "sem preço".
Estes organismos internacionais não exigem o mesmo as países industrializados onde se mantêm políticas protecionistas (não aplicam em 'casa' o que exigem 'fora') que têm sido alvo de contestação pelos países 'pobres'.
Apesar de tudo isto, e pelo menos no que se refere à produção agrícola, a sustentabilidade exige o aproveitamento de todos os recursos locais em todas as suas potencialidades e por isso nunca fará sentido abandonar campos férteis ou dar-lhes outro uso. E, na minha opinião, a circulação destes produtos entre países e regiões deverá ser condicionado pela disponibilidade local de um produto. Ou seja, se localmente é possível produzir leite, este deverá ser consumido a nível local e só 'exportado' para locais onde a produção seja insuficiente.
Mas no quadro internacional de facto é crime protejermo-nos e o principio da precaução ainda não faz parte do vocabulário dos dirigentes e decisores mundiais.
Até...
Hugo

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